Processo de Bolonha
O Processo de Bolonha surge como uma tentativa de fazer com que a educação de nível superior na Europa seja tão boa como nos Estados Unidos. Pretende-se assim dar mais um passo na construção de uma Europa forte e competitiva, capaz de ombrear com o poderio norte-americano. Assinada por 29 países europeus, a Declaração de Bolonha vai ser implementada em Portugal a partir do próximo ano lectivo. Cursos de 3 anos, um sistema europeu de créditos e o financiamento diferenciado para os mestrados e doutoramentos são as medidas mais visíveis deste processo. Será implementado um sistema de 2 ciclos, o graduado e o pós-graduado. O primeiro equivalerá à licenciatura, e em Portugal terá a duração de três anos (excepto no caso do curso de medicina). O segundo corresponderá ao mestrado ou doutoramento.
As vantagens são, à partida, muitas. A uniformização dos sistemas de ensino superior europeus permite uma teórica subida da qualidade de ensino em alguns países que estavam a ficar para trás neste aspecto. Permite também que um trabalhador português com as mesmas competências que outros trabalhadores europeus da mesma área, possa encontrar mais facilmente trabalho fora do seu país, pois o seu diploma será reconhecido e terá o mesmo valor, em todos os estados membros. A livre circulação de trabalhadores dentro da Europa será, portanto, facilitada. Será igualmente importante para a construção de uma consciência europeia que se quer cada vez mais vincada. É importante que as novas gerações sintam que, além de serem portugueses, franceses ou espanhóis, são também europeus, que sintam realmente isso, que percebam o que é a Europa e se sintam ligados aos restantes países membros.
O novo sistema é um sistema mais orientado para a realidade do mercado de trabalho, para a realidade empresarial onde cada vez mais qualidades como a facilidade em trabalhar em equipa e a criatividade são valorizadas. O aluno passa a ter um papel bastante activo na sua própria formação, passando o professor a agir como um orientador. Parecem, portanto, reunidas as condições para tornar os cursos universitários mais atractivos e dinâmicos. No entanto, há alguns aspectos a considerar, que podem esfriar um pouco todo este optimismo.
Olhemos para o nosso caso, o caso português. Não haverá uma certa inadequação de algumas medidas em relação à sociedade portuguesa, que é, no geral, atrasada quando comparada com muitos países europeus? Muitas vezes verificamos que a preparação dos alunos portugueses quando saem do 12º ano é inferior à dos alunos de outros países como a Bélgica ou a Alemanha. Estarão preparados para encarar os mesmos desafios em termos de ensino superior?
Estarão todas as instituições de ensino de todos os países europeus organizadas e preparadas para receber todas estas mudanças?
Depois destas considerações, resta-me estabelecer relações entre este tema e a matéria estudada até este momento na cadeira de Sociologia da Cultura e dos MDI. A redução dos cursos para apenas 3 anos lembra-nos que estamos cada vez mais na presença de ciclos curtos; a questão da grande mobilidade de alunos e professores que se pretende instalar no espaço europeu; a uniformização do ensino lembra-nos também a questão da globalização, com todas as mudanças sociais e organizacionais inerentes, a criatividade como uma qualidade cada vez mais valorizada; a grande competitividade a nível mundial, que leva a Europa a querer formar profissionais cada vez mais competentes; novos papéis do professor e do aluno, como consequência das reformas educativas.
Em jeito de conclusão, deixo aqui expresso o desejo de que os problemas possam ser ultrapassados e que as promessas despertadas pela declaração de Bolonha possam ser uma realidade, em nome de uma Europa unida, igualitária e competitiva.
O Processo de Bolonha surge como uma tentativa de fazer com que a educação de nível superior na Europa seja tão boa como nos Estados Unidos. Pretende-se assim dar mais um passo na construção de uma Europa forte e competitiva, capaz de ombrear com o poderio norte-americano. Assinada por 29 países europeus, a Declaração de Bolonha vai ser implementada em Portugal a partir do próximo ano lectivo. Cursos de 3 anos, um sistema europeu de créditos e o financiamento diferenciado para os mestrados e doutoramentos são as medidas mais visíveis deste processo. Será implementado um sistema de 2 ciclos, o graduado e o pós-graduado. O primeiro equivalerá à licenciatura, e em Portugal terá a duração de três anos (excepto no caso do curso de medicina). O segundo corresponderá ao mestrado ou doutoramento.
As vantagens são, à partida, muitas. A uniformização dos sistemas de ensino superior europeus permite uma teórica subida da qualidade de ensino em alguns países que estavam a ficar para trás neste aspecto. Permite também que um trabalhador português com as mesmas competências que outros trabalhadores europeus da mesma área, possa encontrar mais facilmente trabalho fora do seu país, pois o seu diploma será reconhecido e terá o mesmo valor, em todos os estados membros. A livre circulação de trabalhadores dentro da Europa será, portanto, facilitada. Será igualmente importante para a construção de uma consciência europeia que se quer cada vez mais vincada. É importante que as novas gerações sintam que, além de serem portugueses, franceses ou espanhóis, são também europeus, que sintam realmente isso, que percebam o que é a Europa e se sintam ligados aos restantes países membros.
O novo sistema é um sistema mais orientado para a realidade do mercado de trabalho, para a realidade empresarial onde cada vez mais qualidades como a facilidade em trabalhar em equipa e a criatividade são valorizadas. O aluno passa a ter um papel bastante activo na sua própria formação, passando o professor a agir como um orientador. Parecem, portanto, reunidas as condições para tornar os cursos universitários mais atractivos e dinâmicos. No entanto, há alguns aspectos a considerar, que podem esfriar um pouco todo este optimismo.
Olhemos para o nosso caso, o caso português. Não haverá uma certa inadequação de algumas medidas em relação à sociedade portuguesa, que é, no geral, atrasada quando comparada com muitos países europeus? Muitas vezes verificamos que a preparação dos alunos portugueses quando saem do 12º ano é inferior à dos alunos de outros países como a Bélgica ou a Alemanha. Estarão preparados para encarar os mesmos desafios em termos de ensino superior?
Estarão todas as instituições de ensino de todos os países europeus organizadas e preparadas para receber todas estas mudanças?
Depois destas considerações, resta-me estabelecer relações entre este tema e a matéria estudada até este momento na cadeira de Sociologia da Cultura e dos MDI. A redução dos cursos para apenas 3 anos lembra-nos que estamos cada vez mais na presença de ciclos curtos; a questão da grande mobilidade de alunos e professores que se pretende instalar no espaço europeu; a uniformização do ensino lembra-nos também a questão da globalização, com todas as mudanças sociais e organizacionais inerentes, a criatividade como uma qualidade cada vez mais valorizada; a grande competitividade a nível mundial, que leva a Europa a querer formar profissionais cada vez mais competentes; novos papéis do professor e do aluno, como consequência das reformas educativas.
Em jeito de conclusão, deixo aqui expresso o desejo de que os problemas possam ser ultrapassados e que as promessas despertadas pela declaração de Bolonha possam ser uma realidade, em nome de uma Europa unida, igualitária e competitiva.
