digital madness

Friday, May 12, 2006

Processo de Bolonha

O Processo de Bolonha surge como uma tentativa de fazer com que a educação de nível superior na Europa seja tão boa como nos Estados Unidos. Pretende-se assim dar mais um passo na construção de uma Europa forte e competitiva, capaz de ombrear com o poderio norte-americano. Assinada por 29 países europeus, a Declaração de Bolonha vai ser implementada em Portugal a partir do próximo ano lectivo. Cursos de 3 anos, um sistema europeu de créditos e o financiamento diferenciado para os mestrados e doutoramentos são as medidas mais visíveis deste processo. Será implementado um sistema de 2 ciclos, o graduado e o pós-graduado. O primeiro equivalerá à licenciatura, e em Portugal terá a duração de três anos (excepto no caso do curso de medicina). O segundo corresponderá ao mestrado ou doutoramento.
As vantagens são, à partida, muitas. A uniformização dos sistemas de ensino superior europeus permite uma teórica subida da qualidade de ensino em alguns países que estavam a ficar para trás neste aspecto. Permite também que um trabalhador português com as mesmas competências que outros trabalhadores europeus da mesma área, possa encontrar mais facilmente trabalho fora do seu país, pois o seu diploma será reconhecido e terá o mesmo valor, em todos os estados membros. A livre circulação de trabalhadores dentro da Europa será, portanto, facilitada. Será igualmente importante para a construção de uma consciência europeia que se quer cada vez mais vincada. É importante que as novas gerações sintam que, além de serem portugueses, franceses ou espanhóis, são também europeus, que sintam realmente isso, que percebam o que é a Europa e se sintam ligados aos restantes países membros.
O novo sistema é um sistema mais orientado para a realidade do mercado de trabalho, para a realidade empresarial onde cada vez mais qualidades como a facilidade em trabalhar em equipa e a criatividade são valorizadas. O aluno passa a ter um papel bastante activo na sua própria formação, passando o professor a agir como um orientador. Parecem, portanto, reunidas as condições para tornar os cursos universitários mais atractivos e dinâmicos. No entanto, há alguns aspectos a considerar, que podem esfriar um pouco todo este optimismo.
Olhemos para o nosso caso, o caso português. Não haverá uma certa inadequação de algumas medidas em relação à sociedade portuguesa, que é, no geral, atrasada quando comparada com muitos países europeus? Muitas vezes verificamos que a preparação dos alunos portugueses quando saem do 12º ano é inferior à dos alunos de outros países como a Bélgica ou a Alemanha. Estarão preparados para encarar os mesmos desafios em termos de ensino superior?
Estarão todas as instituições de ensino de todos os países europeus organizadas e preparadas para receber todas estas mudanças?
Depois destas considerações, resta-me estabelecer relações entre este tema e a matéria estudada até este momento na cadeira de Sociologia da Cultura e dos MDI. A redução dos cursos para apenas 3 anos lembra-nos que estamos cada vez mais na presença de ciclos curtos; a questão da grande mobilidade de alunos e professores que se pretende instalar no espaço europeu; a uniformização do ensino lembra-nos também a questão da globalização, com todas as mudanças sociais e organizacionais inerentes, a criatividade como uma qualidade cada vez mais valorizada; a grande competitividade a nível mundial, que leva a Europa a querer formar profissionais cada vez mais competentes; novos papéis do professor e do aluno, como consequência das reformas educativas.
Em jeito de conclusão, deixo aqui expresso o desejo de que os problemas possam ser ultrapassados e que as promessas despertadas pela declaração de Bolonha possam ser uma realidade, em nome de uma Europa unida, igualitária e competitiva.

Thursday, May 04, 2006

A Infoexclusão e os idosos

A Infoexclusão é uma realidade cada vez mais presente. A precaridade económica ou a incapacidade técnica ou física de lidar com os novos meios digitais são alguns dos factores que impedem um grande número de pessoas de usufruir plenamente dos benefícios oferecidos pelos mesmos.
Uma das classes mais afectadas por este fenómeno são claramente os idosos. As reformas muitas vezes não chegam para comportar as despesas inerentes ao serviço Internet. Além disso, verifica-se muitas vezes um grande desfasamento por parte destas pessoas em relação à actualidade tecnológica e às competências necessárias para lidar com a mesma. Como contornar este problema? Como ajudar os idosos que o desejem?
Com o meu seminário pretendo fazer uma breve exposição de algumas medidas que têm vindo a ser tomadas nesse sentido, tentar perceber se se poderá ir ainda mais além (e se sim como) e, por fim, falar sobre as principais dificuldades e expectativas dos idosos que se lançam na aventura digital.

Saturday, April 29, 2006

A Internet é democrática?

Quando nos fazem esta pergunta, a resposta parece-nos óbvia. É claro que a Internet é democrática! haverá meio mais democrático?! Não liga ela pessoas de todas as nações, não são todos os cibernautas iguais entre si, não disponibiliza ela informação em doses iguais para todos?...bom, uma análise mais atenta permite-nos de facto verificar que, infelizmente, não é bem assim.
Primeiro que tudo, importa realçar que nem toda a gente tem acesso à rede. Aumenta assim o fosso entre os países desenvolvidos e os países de terceiro mundo e cria-se uma nova classe de pessoas desfavorecidas, chamadas de info-excluídos. Estes são individuos que não têm livre acesso à partilha de experiências e conhecimento via web. Trata-se pois, de uma forma de desigualdade, algo que vai contra os principios da democracia. Depois, temos a questão da língua. O inglês tem uma predominância esmagadora na net, o que faz com que os cibernautas que não estejam à vontade com esta língua, não possam obter o conhecimento desejado.
Temos ainda a questão dos sites pagos. Há, de facto, bastantes sites em que temos de pagar para aceder (não apenas pornográficos), o que se torna dificil para pessoas com dificuldades económicas, favorecendo, por outro lado, os mais abastados. Podemos ainda falar nos grupos online. É comum verificarmos que existe uma grande censura dentro dessas comunidades e que se um membro se atrever a quebrar alguma das regras, arrisca-se seriamente a ser expulso.
Estes são apenas alguns pontos que deitam por terra as supostas características democráticas da Internet. É certo que é um meio que encerra em si um enorme potencial democrático, mas que terá forçosamente de ser gerido de uma forma diferente, para que este se possa manifestar de forma total. Na minha opinião, isso terá forçosamente de passar, entre outras coisas, por um decréscimo do poder de controlo da mesma por parte do país que a criou, os Estados Unidos. Acredito que, com o tempo, se darão pelo menos alguns passos nesse sentido, em nome de uma Internet o mais democrática e universal possível.

Wednesday, March 29, 2006

Pode ser-se demasiado criativo?

A criatividade tem levado o homem a alcançar feitos notáveis. A capacidade de criar, de inventar novas ferramentas, novas ideias, novas tecnologias, novos produtos, permite-nos compensar a nossa fragilidade física e estar em constante evolução. Se hoje podemos, por exemplo, falar em tempo real com alguém que se encontra em outra parte do planeta, devemo-lo à criatividade de alguém. Sendo assim, a resposta a esta pergunta parece óbvia. O ser-se demasiado criativo não existe, não constitui qualquer problema, pelo contrário. Mas será isto sempre verdade?
Vivemos num mundo em que "dinheiro" é a palavra chave. Muitos aspectos da nossa vida estão sujeitos a imperativos económicos. O principal objectivo de uma empresa é conseguir ter o maior lucro possível. Sendo assim, se eu tiver uma empresa, apenas me interessa desenvolver ou apostar em produtos que me tragam retorno finaceiro, que sejam rentáveis. Num contexto empresarial, podemos portanto dizer que não basta ser-se criativo. As inovações têm de ser funcionais, têm de seduzir as pessoas, ser aceites por elas, levá-las a querer adquiri-las. Importa também ter em conta o contexto histórico e social envolvente. Uma inovação que não é rentável hoje, pode sê-lo amanhã, simplesmente porque já estaremos preparados para a receber e para lidar com ela. Assim, se por um lado é do meu interesse que a minha empresa conte nos seus quadros com criativos que surjam regularmente com novas ideias para produtos ou serviços, por outro tenho de ter o cuidado de gerir toda essa criatividade, de modo a não apostar num sem número de inovações que, embora parecendo à partida boas ideias, não me tragam o retorno que pretendo. Há portanto que ter o cuidado de não saturar o mercado com mais inovações do que aquelas que ele pode aceitar num determinado momento, de modo a que a criatividade não resulte em prejuízo para a empresa.

Monday, March 27, 2006

A Era Digital

Na semana passada fui tratar do meu passaporte (viagem de finalistas!!). Para o fazer, precisava, entre outras coisas, de uma fotografia recente. Assim, dirigi-me ao fotógrafo da esquina, um senhor barrigudo e bem disposto, famoso na terreola pela qualidade do seu trabalho. Mal me viu fez logo o seu sorriso característico e deu-me os bons dias. “Então o que é que te traz por cá?” disse ele. “Vinha tirar umas fotografiazitas tipo passe”, respondi eu. Sem mais demoras, conduziu-me até uma cadeira e lá me tirou as fotos. Fiquei a observá-lo enquanto ele mexia no computador com uma destreza que não lhe conhecia. Ainda sou do tempo em que aquele senhor tirava fotos com uma máquina analógica e me mandava voltar ao estúdio passadas algumas horas, para as levantar. Agora, em questão de segundos, tinha-as ali, acabadinhas de fazer. “Isto antigamente era mais giro, não? Aquele ritual da película, dos líquidos, da câmara escura…” , perguntei-lhe eu inocentemente. “Pois, por uma lado tens razão, mas isto agora com o photoshop é muito mais fácil, fazem-se coisas impressionantes e quem não se actualizar, como ali o Ezequiel (um fotógrafo da concorrência), perde o comboio!”
Sorri e mergulhei nos meus pensamentos, enquanto contemplava aquele velho fotografo, que conheço desde sempre, a navegar alegre e facilmente pelo mundo digital. As suas palavras ecoavam na minha cabeça. “Quem não se actualizar, perde o comboio”. E, de facto, parece ser mesmo assim.
Vivemos hoje uma autêntica revolução digital. Ela está em todo o lado, vemo-la quando vamos ao cinema, quando vamos ao banco e até, pelos vistos, no fotógrafo da esquina. Ela trouxe-nos um infinito mar de possibilidades, melhorou muitos serviços, facilitou muitos aspectos da nossa vida. Há, no entanto, outros efeitos que dizem respeito ao domínio do sociológico e nos quais vale a pena nos debruçarmos.
Somos hoje mais exigentes do que éramos. Queremos mais, melhor e mais rápido. Os produtos têm um círculo de vida cada vez mais curto, há uma procura desmedida por tudo o que é novo. Temos uma autêntica “cultura do prazer”. Hoje em dia há muito a noção de que temos de ter prazer em tudo o que fazemos, e o trabalho não é excepção. Dizemos que não produzimos porque não nos sentimos motivados, porque o que fazemos não nos dá prazer. A interactividade ganha também cada vez mais importância. Os programas interactivos, os jogos on-line etc, são extremamente valorizados, na medida em que permitem que nós, como consumidores, sintamos um certo poder. As novas tecnologias trouxeram novas formas de divulgação, novas armas para os publicitários, novas estratégias de marketing. Somos inundados a todo o momento por milhares de mensagens publicitárias, que nos tentam seduzir, levar-nos a comprar. As empresas vêem-se assim na necessidade de desenvolver esforços no sentido de fidelizar os seus clientes, de modo a blindá-los contra os contínuos assédios de outras empresas. O cliente é rei, é ele que tem o poder, pois tem imensas possibilidades de escolha. Se não está satisfeito, pode simplesmente mudar-se para uma das muitas marcas concorrentes.
A adaptabilidade e a flexibilidade, assim como a inteligência emocional são características cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho, o que contribui para que haja cada vez mais mulheres em cargos de elevada importância.
O mundo está em constante mudança e andamos todos a tentar acompanhá-lo. Importa que o façamos de modo a usufruirmos de tudo o que de bom esta era digital tem para nos oferecer e também para que não percamos o comboio, como diz o fotógrafo, mas importa também sermos ponderados e não nos deixarmos levar por toda esta onda consumista que nos cerca e, já agora, que não deixemos de viver o mundo “real”, físico. Vemos crianças que passam horas agarradas a jogos na Internet, pessoas cuja vida social passa apenas pelos chats na Internet e isso é tudo menos saudável.
Como em tudo na vida, para lidarmos com a revolução digital é necessária uma dose de bom senso e equilíbrio.

Thursday, February 09, 2006

"Digital", a palavra mágica

Sempre que um semestre começa, perguntamo-nos acerca do que as novas cadeiras nos reservarão. Serão fáceis? Irão pôr-nos os neurónios em polvorosa? Passaremos uma hora e meia escravos do relógio, suplicando aos ponteiros que avancem mais depressa ou será que nos sentiremos verdadeiramente motivados e interessados naquilo que nos é transmitido? Essa é uma dúvida que apenas se dissipa com o tempo, à medida que nos vamos apercebendo da realidade de cadeira, do que ela requer de nós. Poderemos contudo, a partir do programa da cadeira e do seu nome, tentar prever tudo issso, traçar algumas perspectivas e esperar, ou não, que se vejam concretizadas. É isso que pretendo fazer neste momento, debruçando-me sobre a cadeira de Sociologia da Cultura e dos Meios Digitais e Interactivos.
Esta cadeira goza, à partida, de um grande ponto a favor. O facto de estar inserida na variante de Comunicação Digital Interactiva. Isto faz-me prever que seguirá a linha das restantes cadeiras inseridas na mesma, ou seja, que será interessante, tratará de temas actuais, e que conseguirá igualmente despertar um grande grau de motivação e empenho.
Analizando o programa, percebe-se facilmente que o objectivo da cadeira é despertar em nós uma consciência crítica em relação a todos os aspectos inerentes a esta autêntica explosão digital a que assistimos nos nossos dias. As vantagens, os perigos, as mudanças desencadeadas por esta na nossa sociedade e a melhor maneira de lidar com tudo isto, enquanto futuros profissionais intimamamente ligados a este fenómeno. Estou confiante portanto, que chegarei ao fim do semestre convencido de que esta cadeira me foi e será útil. Se conseguirei ter 10? Bom, isso é a verdadeira incógnita no meio de tudo isto!...
Com esta me despeço, e até ao próximo post.